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coffea canephora

O que significa Coffea canephora? Saiba aqui

Primeiramente, é importante deixar claro que café é uma fruta que nasce da planta de gênero Coffea. Nesse sentido, há duas espécies mais comuns no universo cafeeiro: Coffea canephora e Coffea arabica. Apesar de elas serem parecidas nas lavouras, o resultado na xícara é bem diferente e, a seguir, vamos apresentar os principais motivos.

No Brasil, o maior produtor de café do mundo, há o cultivo das duas espécies, e o arábica tem mais áreas de extensão plantadas. Contudo, em algumas regiões produtoras, a adaptação da canephora a clima, solo e ambiente é melhor para o cultivo, principalmente em relação ao calor.

Conheça a diferença: café arábica e robusta

Em relação às diferenças, o manejo das duas espécies é bem diferente. A Coffea canephora possui um teor mais alto de cafeína e menor doçura natural. Já o café arábica tem concentração de notas sensoriais, doçura e acidez.

Entretanto, o valor de mercado do arábica é mais elevado, enquanto os grãos de Coffea canephora são mais baratos, encorpados e concentram mais cafeína. Por isso, grande parte da indústria tradicional de café utiliza os grãos como “blends”, ou seja, misturados aos de arábica, com consequente perda de atributos.

A espécie é conhecida como Coffea canephora, robusta ou conilon e, no pé, têm frutos e mucilagem (caldinho) menores. Em contrapartida, a produtividade dela é maior, já que suporta altas temperaturas.

Desse modo, no Brasil, esse tipo de pé é encontrado em regiões específicas, como em fazendas do Espírito Santo, Rondônia (aliás, com plantio realizado por indígenas) e Bahia.

O surgimento do café robusta

Popularmente conhecido como café robusta, os grãos foram descobertos no Congo, em florestas da África. Aliás, a origem da resistência no cafezal vem do berço da força do mundo. O termo “robusta” também traz como significado a rusticidade e a resistência da planta.

Além das diferenças ligadas ao sabor, o número de variedades que nascem das duas espécies de café são muito diferentes. Para se ter ideia, no caso da Coffea arabica, são mais de 100 variedades e subvariedades, com experiências sensoriais distintas.

Já no caso da Coffea canephora, as duas mais famosas são a kouillou (conilon) e a robusta. Enquanto a conilon é caracterizada por folhagem e relevância econômica mundial maiores, a canephora tem o mercado interno como principal destino, pois é utilizada para produção de café solúvel e blends da indústria tradicional de café.

A descoberta do café arábica

coffea canephora

Por outro lado, o café arábica tem origem diferente: ele foi descoberto na Etiópia e levado por navegantes para vários lugares do mundo. Foi assim, inclusive, que os grãos chegaram à Índia, por meio do movimento de um monge que passou pelo porto de Moca, no Iêmen.

Depois de esconder umas sementes nas vestimentas, ele chegou em casa e decidiu plantar pé de café no quintal de casa. Desse modo, iniciou o cultivo de café arábica no país.

Café arábica no Brasil

No Brasil, o processo de cultivo foi iniciado por um sargento enviado à Guiana a fim de buscar grãos para o plantio aqui. O portal de entrada foi o estado do Pará e, em seguida, o governo contribuiu para a disseminação em todo o país.

Devido às características genéticas, o café arábica tem alto teor de doçura natural, notas sensoriais, por isso não precisa ser adoçado com açúcar ou adoçante, por exemplo.

Nesse sentido, o café especial acima de 84 pontos, que é 100% arábica, pode ser apreciado sem aditivos. Isso porque a bebida tem notas sensoriais que são caminhos de sabor e vivências diferentes. Só para ilustrar um pouco disso, a proposta pode vir de notas que lembram doce de marmelo, frutas, flores, chocolate e doce de leite.

Café arábica x conilon

Esse resultado é criteriosamente trabalhado a cada etapa de cultivo, processos de pós-colheita e torra. Por outro lado, como a variedade robusta (conilon) tem concentração de amargor, grande parte da indústria de café tradicional tem como perfil “carbonizar” o grão. Com isso, é possível esconder os defeitos da bebida.

Aroma

Arábica: a bebida preparada a partir de grãos arábicas têm concentração aromática e cheiros que lembram erva-doce e flores de jasmim, por exemplo.
Robusta: cheiro mais marcado e pouca variedade aromática.

Sabores

Arábica: notas sensoriais marcantes, doçura natural e acidez equilibrada.
Robusta: café encorpado e amargo.

Cafeína

Arábica: menor concentração de cafeína.
Robusta: maior índice de cafeína.

Cultivo

Arábica: cultivo especial, critério de pós-colheita e terroir adequado.
Robusta: resistência às pragas e força no crescimento.

Cafezal

Arábica: frutos maiores, mais mucilagem (caldinho), folhagem bem verde e crescimento mais “grudado” aos ramos.
Robusta: frutos menores, menos mucilagem, folhagem amarronzada e menos aderência ao ramo ‒ o que faz os frutos caírem no chão e se transformarem no “café de varredura”, ou seja, aquele com gosto de terra.