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Os tipos de blend de café: saiba como eles são feitos e quais são os motivos

Quantas vezes você já ouviu falar em blend de café? A terminologia ainda é nova para você? Então, a nossa proposta aqui é esclarecer alguns mitos que rondam esse processo. Primeiramente, é importante que você entenda que se trata de uma mistura praticada de maneiras diferentes.

Por isso, sempre que você quiser saber o que é café blend, pense na proposta ligada à harmonização. Até porque, no mundo do vinho, da cachaça, do uísque e até na indústria do perfume, essa mistura é um convite para novas experiências.

Porém, no mercado, existem muitas possibilidades de blends de café. Elas podem surgir como verdadeiras alquimias ou simplesmente uma alternativa para diminuir o custo da indústria na comercialização da bebida.

A seguir, vamos falar de todos esses pontos de um jeito bem simples para entendermos as principais diferenças. Assim, você vai saber se o seu café preferido é um blend ou um “single origin”.

Blend ou “single origin”

Na Coffee ++, trabalhamos somente em pontuações acima de 84 pontos. Isso porque é a partir dessa pontuação que o café começa a apresentar atributos sensoriais. É café puro, purinho mesmo.

Os nossos grãos são definidos como “single origin”, ou seja, de uma única origem, na mesma variedade e a partir de um mesmo terroir. Geralmente, cafés acima de 84 pontos vêm de uma mesma variedade, um mesmo terroir e um mesmo produtor.

A mistura para o mercado

No blend de café, o foco prioritário é atingir uma certa demanda de perfil, e não necessariamente potência sensorial na boca. Dessa forma, o provador de café (profissional experiente, conhecedor das etapas produtivas e com grande capacidade sensorial) entra em ação.

O objetivo desse especialista é encontrar sacas diferentes no armazém, ritmar a acidez, a doçura e a intensidade de cada variedade. Assim, quando o mercado requer um tipo específico de perfil, esse profissional ajusta a mistura.

Porém, não pense que essa tarefa é simples. Então, nada de pegar um punhado de cada café moído em casa e misturar tudo no pote em busca de um blend autoral, viu?

Até porque o blend ocorre antes da torra, ainda com os grãos verdes. Esse profissional escolhe os grãos de acordo com o sensorial, torra, prova o café buscando os atributos ou efeitos sensoriais de acordo com cada cliente. Dessa forma, ele busca levar um top blend café até a xícara.

Os processos do blend de café

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Obviamente, existem alguns caminhos que são seguidos pelo provador de café. Então, cada caminho sensorial é guiado pela Roda de Sabores, que ajuda na descrição de atributos e defeitos.

No mercado do café commodity, que normalmente é trabalhado em grande escala e comercializado nas prateleiras dos supermercados, o blend de café faz parte da regra do negócio. Isso porque o resultado em alguns dos cafés da grande indústria é composto pela mistura de espécies (arábica e robusta).

Só para ilustrar um pouco desse trabalho, é como se essas empresas pegassem um “punhado” de café arábica e outro “bocado” de grãos robusta. Você imagina o motivo dessa mistura?

O café tradicional blendado

O café arábica é potente em notas sensoriais, doçura e acidez. Porém, o valor de mercado dele é mais elevado, enquanto os grãos de robusta são mais baratos, encorpados e concentram mais cafeína. Por isso, muitas indústrias optam pela mistura e, consequentemente, uma possível perda de atributos.

Como já falamos com você aqui, a torra mais escura (ou seja, carbonizada) é realizada com a finalidade de esconder os defeitos do café. Dessa forma, você não consegue perceber essas complexidades no paladar e, muitas vezes, adoça a bebida com açúcar (ou adoçante) para neutralizar o amargor.

Conheça seis formas de fazer o café tipo blend.

Café arábica

A ideia é provocar a potencialidade da experiência sensorial. Nesse sentido, é possível misturar variedades dos grãos arábicas, como o café Catuaí, Mundo Novo, Arara, SL, por exemplo. O que vale é o feeling e as tentativas para cada bebida.

Subvariedades

Tratam-se dos grãos que nascem do cruzamento com outras variedades. Um bom exemplo é o Bourbon amarelo, o Bourbon laranja e o Catuaí amarelo. A mistura é feita antes da torra do café, com o objetivo de criar experiências diferenciadas.

Terroir

Ele ajuda a determinar as características sensoriais de cada café.

Processos de pós-colheita

O produtor pode escolher alguns caminhos para potencializar o café. Aqui entra, mais uma vez, o pensamento especial. Depois que o café é colhido na lavoura, inicia-se o processo de pós-colheita e é o momento de secar o café.

Nesse sentido, a escolha pode ser pelo processo Natural (em que os grãos ficam no sol em terreiro suspenso ou de concreto do jeito que foram tirados do pé), Cereja descascado (as cascas são retiradas dos frutos antes de secar) e o Lavado (o café fica de molho e seca sem a polpa, ou seja, apenas com sementes).

Cada jeito vai render um perfil de café diferente. Portanto, o ato de blendar os grãos resultantes de processos distintos ocorre para atender a um tipo de demanda específica do mercado.