Desde 1953 • Cafés SuperEspeciais
café acaiá

O café Acaiá e a força do DNA brasileiro

O Brasil é lugar de riqueza natural e berço de um povo que exala resistência em cada compasso da sobrevivência. No sertão, Zé Dantas e Luiz Gonzaga mostraram tudo isso com a composição da canção. Deve ser por isso que os grãos que brotam aqui chegam com a beleza no “sotaque” e consagração na xícara. O café Acaiá é 100% brasileiro e um ótimo exemplo disso.

Reza a lenda que o café foi descoberto na Etiópia: um pastor que notou mudanças nos comportamentos das cabras após se alimentarem dos frutos de um arbusto misterioso, de crescimento espontâneo. Porém, foi em solo brasileiro, muito tempo depois, que a produção de café se tornou intensa e abasteceu o planeta.

Com o tempo, a fama das propriedades do café se espalhou pelo mundo. Aliás, desde a criação, o café sempre conduziu rituais e chegou a ser considerado sagrado pelos monges, que o aproveitavam para passar a noite em vigília. No Brasil, não foi diferente, mas a ligação veio principalmente pela memória afetiva.

A conexão do Brasil e o café

Desse modo, por aqui, tornou-se impossível não materializar formas de conexão e tranquilidade com o consumo do cafezinho. Assim, o grão de café especial entrega experiências diversificadas, além de opções infinitas que passam pelo aroma e pelo sabor.

Esse é o caso do café Acaiá que, segundo especialistas, trata-se de uma mutação natural do café Mundo Novo, porém tem aspectos diferenciados. De acordo com relatos, a fim de incentivar a potencialidade da espécie, os pesquisadores selecionaram mudas da variedade Mundo Novo e levaram ao laboratório.

O resultado foi uma planta com características singulares, como o tamanho dos frutos e a quantidade de mucilagem (caldinho), bem como aquelas herdadas da variedade Mundo Novo. Esse café é considerado o “Bourbon brasileiro”, em analogia à variedade Bourbon que concentra sabor e é uma das mais bem avaliadas do mundo.

O DNA Mundo Novo no café Acaiá

café acaiá

Para entender a origem do café Acaiá, é importante saber mais sobre o café Mundo Novo. Os grãos surgiram a partir das variedades de café Sumatra e Bourbon Vermelho, originalmente cultivados no Brasil. Essa planta forte, que resiste bem às doenças, origina uma semente de café arredondada.

A produtividade alta dessa variedade vem de doçura evidente, acidez mediana e perfume guiado por cheirinho de caramelo e chocolate. Combinações capazes de elevar a produção cafeeira do Brasil aos grandes níveis do mercado mundial.

As primeiras plantas do café Mundo Novo foram cultivadas em Mineiros do Tietê (SP). Depois da descoberta, algumas sementes de café foram levadas à cidade Mundo Novo (em São Paulo). Foi dessa forma que surgiu o café – e o nome da variedade –, um dos queridinhos dos produtores brasileiros.

O Mundo Novo, que é um café 100% arábica entre as ruas de café do país, apareceu em 1952, quando o Instituto Agronômico de Campinas (IAC) apresentou oficialmente o grão ao mercado. O alto índice de produtividade é um dos pontos de destaque para muitos produtores. No pé, ele agradece o cultivo cuidado e, quando as flores abrem, a maturação é mais homogênea, gerando frutos maiores.

As particularidades do café Acaiá

Já o café Acaiá foi apresentado e catalogado no Registro Nacional de Cultivares (RNC) mais tarde, por volta de 1970. Por isso, a variedade é considerada muito jovem entre os amantes de café. Porém, é uma das mais exóticas e produtivas nascidas aqui.

Isso não significa que se trata do melhor grão de café, até porque são inúmeras variedades registradas, analisadas e pesquisadas. Para se ter ideia, no total, são mais de 100 tipos de café que surgiram a partir da planta Coffea arabica em todo o planeta.

A diversidade do café brasileiro

No Brasil, no plantio existem grãos arábicas com sotaque 100% nacional, como Acaiá, Arara, Caturra, Catuaí, Mundo Novo, entre outros. O país é considerado um verdadeiro jardim de variedades devido aos tipos de grãos de café encontrados aqui, principalmente pelo terroir (conjunto de características de um lugar) e pelas diferentes experiências sensoriais da bebida.

O Acaiá se encaixa muito nesse contexto. Inclusive, o café recebeu esse nome devido a uma característica ligada ao fruto: o tamanho da semente. Em tupi-guarani, significa “semente grande”, por isso a escolha na nomenclatura foi tão assertiva.

Na xícara, o café chega com notas marcantes e sabores achocolatados, assim como o seu “pai” Mundo Novo. Na Coffee ++, o produtor Gabriel Nunes é o responsável pela produção do nosso “Bourbon brasileiro”. Ele foi campeão brasileiro de qualidade de café em 2017 e o primeiro a levar o título do Cup of Excellence para a região do Cerrado Mineiro.

O café 100% arábica e 100% brasileiro tem força e uma curiosidade que chama bastante atenção: o porte alto faz dele um destaque na lavoura, bem como na xícara. Ficou curioso? Entenda na xícara o poder do café brasileiro e o motivo do orgulho da nossa produção.