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Herança indiana

Você já ouviu o conto indiano das sete sementes de Baba Budan? Não? Pegue uma xícara de café e se prepare que lá vem história. Então, na Índia, todo mundo acredita que o sábio monge Baba Budan estava em uma peregrinação ao Meca em meados do século 16. O Iêmen monopolizava todo o cultivo do grão de café e, por isso, só era permitida a exportação torrada.

Mas Baba não gostou nada daquela proibição e, ao passar pelo porto de Mocha, no Iêmen, escondeu sete sementes (até porque sete é um número sagrado na Índia) da iguaria dentro nas roupas. Ao chegar em casa, ele plantou os grãos na montanha que vivia; e assim nasceram os primeiros pés de café no país. 

O que se sabe é que as variedades Jackson, Kent, Coorg e Mysore têm registros de uma mesma região da Índia, fato que pode comprovar que elas são descendentes daquelas sete sementes levadas por Baba Budan. Outros pesquisadores acreditam que a variedade Jackson tem origem no senhor Jackson, um produtor famoso e desbravador de café na cidade de Mysore, na Índia, em 1900. Ele encontrou algumas árvores na plantação e descobriu que elas eram resistentes a pragas e ferrugem. 

E assim a variedade Jackson – que é relacionada ao café Bourbon – passou a fazer parte do universo cafeeiro. Atualmente, é encontrada em grande escala em Ruanda. Sobre como a planta foi parar no país? A história não sabe explicar muito bem. Alguns acreditam que quenianos podem ter a levado na década de 1940 e a cultivado por lá. Contudo, não há registros formais. 

Hoje, a tolerância inicial à ferrugem já não existe mais. Em Ruanda, a altitude de mais de 4 mil metros acima do nível do mar é muito benéfica para a planta, assim como as encostas úmidas e todo o processo de lavagem do grão realizada no país. O resultado é uma bebida com excelente corpo, acidez e marcas de uva e limão na boca.