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Puro sangue aos felizardos

Quando você observa a árvore genealógica e todas as ramificações das variedades de café é possível encontrar uma planta que figura entre aquelas consideradas “puro sangue”. Trata-se da Liberica, que surge como papel de destaque em todo o contexto do café no mundo.

Hoje em dia, encontrar cultivo dessa variedade não é muito comum — restritos a poucos felizardos. Mas o que ocorreu? A quase disseminação da planta aconteceu, em 1890, quando a ferrugem acabou com mais 90% dos cafés arábicas no planeta — e a Liberica estava entre esses grãos.

Agricultores desesperados buscaram uma solução imediata para repor o estoque de café. Foi aí que as Filipinas (que ainda não era emancipada e pertencia ao território americano) entraram na rota de fornecimento de grãos arábicas.

Isso foi ótimo e ajudou muito na economia de toda a região. Contudo, a briga com os Estados Unidos (de um povo que já ensaiava a declaração de independência) acabou rendendo reflexos nas lavouras. O poder americano entrou em ação e, assim, todo o suprimento ao país foi cortado, inclusive aqueles destinados ao café.

Quase desaparecida, essa variedade renasceu em 1995 no mundo do café. O crescimento veio a partir de árvores guardadas por produtores (saudosistas) filipinos que decidiram replantar algumas mudas remanescentes no solo das Filipinas, que sempre foi o mais adequado à variedade.

Um presente aos que têm acesso aos grãos, que são considerados os únicos do mundo com formação irregular. Os paladares presentados que se encontraram com o Liberica sentem um café com aromas diferenciados, com notas florais e frutas, além de sabor defumado. Quase lendário, dizem esse café ele é peculiar e muito diferente de qualquer outro do planeta e traz um gosto amadeirado que chega instantaneamente à boca.