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Coffee Mais - As 4 Ondas do Café

Consumo de café especial no Brasil: a quarta onda

O brasileiro tem realizado um movimento bonito de valorização da terra. Assim o consumo de café especial no Brasil tem sido priorizado. Particularmente, eu fico feliz demais com essa onda de consumo. E já faz alguns anos que observei como essa valorização estava condicionada por mudanças que chegavam refletidas no consumo. 

Decidi criar a Coffee ++ depois que percebi como o brasileiro estava pronto para esse movimento de valorização do nosso café. Inclusive, para confirmar essa fala, gosto de contar um pouco de um movimento que eu vivi em 2018.

O movimento brasileiro e o consumo de café especial no Brasil

Nessa época, eu atuava como CEO das fazendas do Grupo Montesanto Tavares. Minha função era a de acompanhar cada etapa do processo produtivo do café. Além disso, minha prioridade sempre foi trabalhar duro com uma equipe especial em busca de potencializar os grãos na lavoura.

Nesse ano, nossa empresa estava na Semana Internacional do Café (que é realizada em Belo Horizonte) com exposição de cafés especiais. O movimento da feira chamou minha atenção. Foi ali que eu percebi um novo perfil no consumo de café especial no Brasil. 

A relação do brasileiro com o café especial

Lembro-me que quando eu cheguei à SIC o movimento no Expominas era intenso. Então, respirei fundo, sorri e pensei: “O brasileiro está preparado para o consumo de café especial acima de 84 pontos“. 

O nosso povo queria conhecer mais sobre o mundo do café especial que, há tempos, tem grande representatividade econômica no Brasil. Prova disso vem com os números da safra 2020, como eu falei aqui.

As ondas de consumo do café especial 

Para os estudiosos, o consumo do café pode ser dividido em ondas, ou seja, etapas. Essa explicação, inclusive, tem muita coerência. Para exemplificar esse movimento existem acontecimentos históricos que deixam claro todas essas rupturas. 

As ondas históricas do café 

As ondas do café

Primeira onda

Ocorreu após a Segunda Guerra Mundial, na metade do século XX. Por causa de tudo que o mundo passava, o café era consumido como base energética e nunca como fonte de apreciação. 

Segunda onda

Entre os anos 60 e 90, o mundo conheceu grandes redes especializadas em cafés gourmet, por exemplo a Starbucks. Nesse contexto, todo o movimento de  propagar o consumo de café especial foi feiro por cafeterias.  Assim as máquinas de café expresso surgiram como estrelas. Já que elas vieram com o charme de transformar em hábito o consumo do café de qualidade.

Terceira onda

Essa onda se inicia no fim da década de 90. Muito pelo consumo que impulsionou processos de extração e convite às experiências. Consequentemente, veio a valorização e as descobertas sensoriais.

Quarta onda

Na Quarta Onda, a democratização do consumo do café especial chegou para mostrar que grãos especiais não se resumem aos métodos elaborados de preparo. Ou seja, seja feliz com o seu café. Isso que importa.

Qual o seu jeito de beber café?

Responder essa pergunta deixa meu coração grandão. Já que eu defendo que o melhor jeito de tomar o café especial é aquele que te deixa feliz. Ou seja, o copo lagoinha, caneca de porcelana ou esmaltada. 

Democratização do consumo do café especial e a quarta onda histórica

Além disso, defendo que a experiência de um café moído na hora pode chegar na simplicidade do liquidificador. Essa é a democratização do café especial. Já que a potência de grãos e o cuidado faz da bebida boa de qualquer jeito.

Sem dúvidas, esse movimento valoriza o trabalho do produtor brasileiro. Assim, o Brasil começa a remar rumo à valorização do produtor de café. E isso, meu companheiro(a) é o que mais tira sorriso do meu rosto. 

O trabalho na fazenda é duro. Por isso mesmo, chegar à explosão de sabores com um café especial é um processo custoso, que depende de cuidado em cada etapa da cadeia produtiva.

Eu sempre brinco que “fazenda” é o feminino de “fazendo”. Dessa forma, o produtor sempre está fazendo alguma coisa lá na roça. Seja uma represa, uma irrigação, cuidado com pragas e doenças ou, simplesmente, uma caminhada pela lavoura para saber se tudo está conforme o planejado. 

Lavoura de café especial brasileiro

Certamente, quando falo desse processo criterioso, sou muito literal. Tudo se inicia na escolha das mudas. Imagine que as plantinhas que darão vida aos pés de café são selecionadas uma a uma bem antes do plantio. 

Por isso, quando afirmo que para fazer café especial é preciso pensar especial eu não tenho tom de exagero na fala. Aliás, eu já vi o produtor fazer tanta coisa para proteger pé de café.

Lá no Lajeado, região emoldurada pelo Parque Nacional da Serra da Canastra, em umas das minhas andanças, conversei com um produtor que enfrentou o fogo que destruía toda a lavoura, com gritos de choro e inchada na mão. 

O nome dele é Marcelo e na companhia de um cachorro bonito, ele narrou o incêndio que invadiu a plantação. Eu engolia seco e o meu coração disparava quando ele me contava aquele “causo”. Naquele momento, eu sabia exatamente o tamanho da dor que ele sentiu. Até porque cada árvore na lavoura é uma vida que é cuidada, desde o nascimento.

O produtor de café especial e a lavoura

Inegavelmente, a relação do produtor de café especial com a lavoura é de amor. Afinal café é conexão para novas e antigas relações. Inclusive, a minha trajetória no café mostra o quão as relações podem ser consistentes nesse universo.

A capacidade que o café especial tem de conectar pessoas é surpreendente. Esse mundo do café já me apresentou tantas pessoas bacanas. Tanto que nunca vou me cansar de propagar algo que acredito: o ideal do café especial é pensar especial e fazer especial.

A Quarta onda e o consumo de café especial no Brasil

Por isso, quem não “reza” na mesma igreja (falo de pensamentos leais, especiais e humanizados) não tem vida longa no mundo especial. O café especial não tem fronteiras e uma das missões da Coffee ++ é compartilhar conhecimentos. 

Para ilustrar tudo isso, hoje, as pessoas querem falar e conhecer sobre café especial. Sendo assim, a Quarta onda tem um significado direto com a expansão democrática do café de qualidade. E sabe de uma coisa? A farra do gringo acabou. O brasileiro merece tomar café especial e entendeu isso.

Saúde e venha endossar essa onda que cada vez ficará mais forte. Já que é possível tomar café especial sem sair de casa.

Leo Montesanto