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Catuaí: ele é 100% do Brasil

O que é sabor para você? Respire, inspire e pense sem ansiedade. Não precisa ser afoito na resposta. Temos tempo. Inclusive, espero que o seu café esteja aí ao seu lado perfumando a sua mente e te levando ao equilíbrio. Até porque, essa xícara aí nas suas mãos é o convite inicial à experiência. 

Conseguiu estabelecer uma linha tênue da individualização de sabor? Agora, dimensione todo esse pensamento e as necessidades sensoriais. Então, seja bem-vindo à explosão provocada pelo grão com alma brasileira!

Esse é o Catuaí, que, em tupi-guarani, significa “muito bom”. Ele traz, entre muitos predicados, a doçura relevante como uma das experiências iniciais de contato com o paladar. Para falar a verdade, “muito bom” é adjetivação mínima do café que nasceu a partir de um cruzamento genético e muita pesquisa.

Tudo começou pelas mãos do geneticista Alcides de Carvalho, pesquisador respeitado do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), em 1949. A ideia de cruzar as variedades Mundo Novo e Caturra foi certeira. Mas não pense numa caminhada simples. Tanto que foi apenas em 1972 que o mercado conheceu efetivamente (e oficialmente) o Catuaí. Os números provam que a ousadia de Alcides foi pertinente e, hoje, cerca de 45% das lavouras nacionais cultivam a variedade.

Os motivos são óbvios: crescimento acelerado, manejo prático e mais resistência a pragas, como a ferrugem. Pequenino na lavoura, o porte é outro ponto relevante entre os benefícios do cultivo. Esse porte baixo faz da colheita manual um dos pontos altos de todo o processo de pós-colheita.

O sabor adocicado surge sem grandes esforços de percepção e tem na leveza dos açucares naturais o equilíbrio ideal na xícara. Nas ruas de café, os frutos podem ser vermelhos ou amarelos, com singularidades típicas de cada uma das espécies.

No Catuaí amarelo, a beleza entoada na plantação surge como pintura complementar do verde dominante da plantação. A acidez é controlada; e o café, menos encorpado. Além disso, ele tem na delicadeza um dos principais trunfos para a democratização do consumo. 

Já com o vermelho, a delicadeza segue como projeção da linha de frente. Contudo, nessa opção, é possível apreciar uma bebida mais encorpada, um pouco mais ácida e com a doçura típica da espécie. Que tal aceitar esse convite para o café nosso de cada dia?